Entre lagartos gigantes e imortais: Macadâmia é a “road trip” literária que todo fã de ficção absurda precisa ler

Com uma narrativa que remete aos clássicos da ficção científica satírica, o romance de estreia leva o público a uma road trip por um universo bizarro e vibrante.

Macadâmia: Lucas Paio lança odisseia de ficção especulativa que flerta com o absurdo
Imagem: Lucas Paio / Divulgação

A literatura de ficção especulativa acaba de ganhar um novo e excêntrico integrante. O autor mineiro Lucas Paio anunciou o lançamento de Macadâmia, seu romance de estreia que mergulha em uma jornada inusitada repleta de personagens memoráveis e críticas sociais afiadas. Ambientada em um universo onde o improvável é a regra, a obra acompanha a fuga de Pablo Pablo da monótona cidade de Cinzália em direção a um reino desconhecido. O título já está disponível nos formatos físico e digital através da Amazon.

A odisseia de Pablo Pablo e seus companheiros improváveis

O coração de Macadâmia bate no ritmo de uma road trip fantástica. O protagonista, Pablo Pablo, é um locutor de carro de som frustrado que, após sucessivas rejeições profissionais e a ameaça de despejo, decide abandonar a burocracia cinzenta de sua cidade natal. Ao seu lado, está Maria Celeste, uma ex-celebridade mirim de pele azul e espírito rebelde que propõe transformar a viagem em um programa de rádio itinerante.

O grupo se completa com figuras que parecem saídas de um sonho febril: Alcebíades, um imortal de 500 anos que permanece biologicamente preso à puberdade, e os gêmeos siameses Cléo e Radamés, unidos fisicamente pela bacia. Juntos, eles cruzam estradas onde encontram desde lagartos gigantes de estimação até seitas que mimetizam o comportamento canino, revelando um mundo tão coeso em sua lógica interna quanto absurdo em sua superfície.

Humor, sátira e a construção do “Nonsense” inteligente

Para quem acompanha o jornalismo de games e entretenimento, a estrutura de Macadâmia ressoa com obras icônicas como O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams. Lucas Paio utiliza uma linguagem coloquial e irônica para desconstruir temas densos. Através dos olhos de Pablo Pablo, o leitor é confrontado com sátiras sobre o autoritarismo, a obsessão contemporânea pela fama, o fanatismo religioso e as engrenagens sufocantes da burocracia.

Mais do que apenas uma sucessão de eventos bizarros, o livro explora a busca por propósito em uma realidade que raramente faz sentido. A “flunfa” — a popular sujeirinha de umbigo — ganha contornos de poder oculto, e o “vômito de pássaro” é ressignificado como “Água Roxa”, servindo como metáfora para a resiliência e a autenticidade diante do caos. É uma obra que convida o leitor a aceitar o absurdo como o melhor destino possível.

Sobre o autor e o universo expandido

Lucas Paio, atualmente residente em Berlim, possui um histórico sólido na narrativa curta e no audiovisual. Vencedor do concurso literário da revista Piauí em 2007 com o conto Mirela, o autor também acumula premiações no Festival do Minuto e menções honrosas em literatura infantil.

Para os leitores que desejam mergulhar ainda mais fundo na lore deste universo, Paio mantém o Substack, onde publica a newsletter gratuita A Tribuna de Macadâmia. Trata-se de um jornal fictício que expande os eventos e curiosidades do livro, oferecendo uma experiência transmídia que enriquece a leitura do romance.

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