O simulador da OPNeon Games tem gestão simples e visual irregular, mas acerta ao transformar o estoque em coleção pessoal.

Quem já entrou numa loja de card game de galeria conhece a cena: fichário aberto no balcão e mesa reservada para o torneio de sábado. TCG Card Shop Simulator me colocou atrás desse balcão, e em pouco tempo eu era o cliente mais assíduo da minha própria loja.

O jogo é desenvolvido e publicado pela OPNeon Games. Saiu do Early Access com a versão 1.0 em 14 de setembro de 2026, para PC, PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2, com textos em português. As cartas pertencem a Tetramon, uma coleção fictícia de monstrinhos de parentesco evidente com Pokémon.
Jogabilidade
O expediente segue a cartilha dos simuladores de loja em primeira pessoa que se multiplicaram nos últimos anos. A encomenda chega, eu abro as caixas, preencho as prateleiras, defino os preços e assumo o caixa. Nenhuma tarefa exige mais que alguns cliques, e o ritmo continua leve mesmo nos dias de loja cheia.

A camada de negócio é fina. O valor das cartas oscila conforme o mercado, mas raramente precisei rever a estratégia por causa disso. Sem concorrência ou crises, a loja cresce mais com tempo de jogo do que com boas decisões.
O que me prendeu foi outro dilema, que o jogo apresenta sem anunciar. Na prateleira, cada booster é receita garantida. Aberto atrás do balcão, vira a chance de uma carta rara para a coleção ou para a revenda avulsa. Passei boa parte das horas fazendo essa conta, e é nela que TCG Card Shop Simulator encontra identidade própria. Com mais de 4.400 cartas no catálogo da 1.0, motivo para abrir mais um não falta.

O problema está no saldo dessas aberturas. Na minha campanha, as cartas quase sempre valeram mais que o pacote. Eu era a banca de um cassino em que a casa nunca perde, e a emoção da carta rara perde força quando o prejuízo nunca chega.
A versão final ampliou bastante o que existia no acesso antecipado. Segundo o histórico oficial de desenvolvimento, os itens à venda passaram de 77 para 111, e os tipos de mobiliário, de 21 para 43. Entraram também grading, torneios, funcionários e o Tetramon TCG, um card game jogável dentro da loja. A contratação de ajuda me livra das tarefas braçais, e os torneios dão à loja um calendário próprio.
Nas mesas, monto um deck de 50 cartas e encaro clientes em partidas de 3 a 5 minutos, com turnos, vantagem de tipo e evolução. O sistema é básico, mas faz da coleção uma ferramenta e cria um bom motivo para segurar aquela carta que renderia bem no mercado.

Gráficos e som
O orçamento visual foi parar nas cartas. As ilustrações dos Tetramon, as embalagens dos boosters e as pelúcias têm acabamento de produto licenciado, e as versões especiais com borda brilhante são as que mais chamam atenção na hora da abertura. Os clientes ficaram com a sobra. Circulam com o mesmo punhado de rostos e um andar de manequim, o que esfria a sensação de loja cheia justo nos dias de movimento.

O áudio cumpre o mínimo. O efeito da carta rara funciona bem, mas a música ambiente se repete sem personalidade e some da percepção logo nas primeiras sessões.
História e narrativa
Não há enredo, diálogos ou personagens com nome. A história é a da loja, contada pelo espaço: o salão vazio do primeiro dia vira, semanas depois, uma sala com mesa de torneio montada. Para o gênero, basta.

Veredicto
TCG Card Shop Simulator é um simulador de loja simples que ganha vida quando o estoque vira coleção. A gestão pede pouco, e a abertura de pacotes generosa demais tira o risco da brincadeira. Ainda assim, o jogo entende bem quem vive de vender cartas e não resiste a abrir uma. Para fãs de card game e de simuladores tranquilos, é uma loja que vale a visita.
Nota: 7,5/10

Formado em Tecnologia em Informática e Sistemas de Informação. Gamer e entusiasta da cultura Nerd e Geek.
