Livro reúne mais de 60 anos de animação japonesa, de Astroboy a Pokémon

Anime-se³: Animês, de Roger Armstrong e Wlady Pereira, tem mais de 200 resenhas e é o primeiro volume de uma trilogia sobre escolas de animação

Livro reúne mais de 60 anos de animação japonesa, de Astroboy a Pokémon
Imagem: Roger Armstrong / Divulgação

Mais de seis décadas de animação japonesa, dos anos 1960 até hoje, estão reunidas em Anime-se³: Animês, livro do escritor Roger Armstrong publicado pela LC Books Editora. A obra tem 524 páginas e coautoria do roteirista e arte-educador Wlady Pereira. Ela funciona como catálogo das principais produções japonesas e como guia sobre os aspectos teóricos, estéticos e artísticos dos animês. O livro custa R$ 199 na versão física e R$ 99 em e-book e está à venda na Amazon.

A publicação é voltada a fãs de cultura pop, colecionadores, estudantes, pesquisadores e professores. É também o primeiro volume de uma série que vai abordar as escolas de animação dos Estados Unidos e da Europa.

De Astroboy a Pokémon, com capítulo sobre Naruto

O livro é dividido em três partes. A primeira trata das origens do animê, da expansão asiática no audiovisual e do funcionamento do mercado global contemporâneo.

A segunda parte concentra mais de 200 resenhas. Os autores usam essas resenhas para discutir a evolução técnica da animação, as estratégias da indústria, a circulação internacional das séries e a chegada dessas produções ao Brasil.

A seleção inclui clássicos como Astroboy (1963), King Kong (1966) e The Adventures of Tom Sawyer (1980). Também traz séries que marcaram a infância de muitos brasileiros, caso de Os Cavaleiros do Zodíaco (1986), Dragon Ball (1986), Sailor Moon (1992) e Pokémon (1997). Naruto ganhou um capítulo exclusivo, dedicado às transformações causadas pela série.

Doze eixos temáticos

A terceira e última parte está organizada em doze eixos temáticos. Armstrong e Pereira tratam, entre outros assuntos, de:

  • protagonismo feminino;
  • questões de gênero e androginia;
  • grandes mestres da animação japonesa;
  • papel dos fãs em períodos de censura;
  • importância dos fandoms digitais;
  • histórias que passaram a circular além da televisão.

Censura, preconceito e público fiel

Num trecho das páginas 504 e 505, os autores descrevem a trajetória das séries japonesas no Ocidente. Para eles, são obras que sobreviveram à censura, ao preconceito e à incompreensão institucional. “E sobreviveram porque provocaram amor. Porque despertaram sonhos. Porque trouxeram consolo, catarse, rebeldia ou beleza onde antes havia apenas rotina”, diz o texto.

Armstrong vê a relação entre público e animação como ponto central do projeto. “As séries animadas expressam valores, comportamentos, transformações tecnológicas e diferentes visões de mundo, ao mesmo tempo que estabelecem vínculos afetivos duradouros com o público, proporcionando uma sensação de pertencimento e contribuindo para a construção de uma memória coletiva”, afirma o autor.

Próximos volumes

Anime-se³: Animês abre uma trilogia. Os volumes seguintes vão tratar das escolas de animação dos Estados Unidos e da Europa. A proposta é mostrar como cada uma delas ajudou a formar o imaginário de diferentes gerações.

Quem é Roger Armstrong

Roger Armstrong é formado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB). Também é mestre em Políticas Sociais pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) e especialista em Comércio Exterior. Há mais de 20 anos é servidor público do judiciário federal.

Ao longo da carreira, fez estágio profissional na Alemanha e foi bolsista da Fundação Japão. A pesquisa sobre diferentes culturas resultou no livro sobre animação japonesa. O autor publica conteúdo no Instagram em @rogerioarmstrong.

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