Retrocon 2026 reúne clássicos, jogos indie brasileiros e nomes da indústria em São Paulo

Evento na ExpoTransamérica juntou fliperamas restaurados, consoles históricos, lançamentos nacionais como Superkid X1 e ÁRIDA 2, e a presença de Kevin Bayliss e atores de Mortal Kombat

A Retrocon 2026 ocupou a ExpoTransamérica, na zona sul de São Paulo, entre os dias 24 e 26 de julho, das 10h às 19h, reunindo milhares de visitantes em torno de consoles clássicos, fliperamas restaurados, jogos independentes brasileiros e convidados internacionais ligados à história dos videogames. Circulando pelos corredores do evento, foi possível perceber que o público ia muito além do público nostálgico: desenvolvedores, colecionadores, jornalistas e criadores de conteúdo também estavam lá para discutir o presente e o futuro do mercado.

O momento chega em meio a um debate na indústria sobre o fim da mídia física. A decisão da Sony de descontinuar os discos físicos, somada às demissões em massa na Microsoft, gerou reação entre desenvolvedores e historiadores preocupados com a preservação da memória dos games. Foi nesse contexto que a Retrocon se consolidou como um espaço de resistência ao avanço das grandes empresas na limitação do acesso e na transformação da compra de jogos em algo próximo de um aluguel de licenças.

Consoles clássicos e fliperamas dividem espaço com o público

Uma das áreas mais movimentadas do evento foi a dedicada aos consoles que marcaram diferentes gerações. Atari, Master System, Mega Drive, Super Nintendo, Nintendo 64, Dreamcast, PlayStation e Neo Geo estavam disponíveis para os visitantes, permitindo tanto reviver jogos de infância quanto conhecer, pela primeira vez, títulos que ajudaram a definir a indústria.

Ao lado dos consoles, máquinas de fliperama originais e restauradas reuniam jogos de luta, corrida, tiro e beat ‘em up característicos das décadas de 1980 e 1990. A proposta, segundo a organização, não era apenas preservar os jogos, mas também a forma como eram jogados originalmente, em pé, em disputa direta com outro jogador ao lado.

Estúdios brasileiros apresentam jogos para consoles antigos e novos

A Retrocon também funcionou como vitrine para desenvolvedores independentes brasileiros. Na área indie, estúdios nacionais apresentaram projetos que usam a estética e a jogabilidade dos jogos antigos aliadas a mecânicas modernas, com demos jogáveis e conversa direta com as equipes de criação.

Entre os destaques, a Fogo Games levou ao evento a versão mais recente da demo de Superkid X1, jogo de futebol arcade inspirado nas partidas de “x1” de rua, no qual crianças com superpoderes disputam confrontos rápidos e estratégicos. O estúdio dividiu estande com a Aoca Game Lab, que apresentou uma nova build de ÁRIDA 2: Rise of the Brave, sequência da franquia de aventura e sobrevivência ambientada no sertão brasileiro. A versão exibida trouxe novas mecânicas, ajustes de jogabilidade, melhorias visuais e um recorte maior da narrativa do segundo capítulo, resultado do feedback obtido após a demo disponibilizada na Steam durante o período junino.

Fábio Cacho, diretor criativo da Fogo Games, comentou que Superkid X1 nasce do desejo do estúdio de traduzir a paixão pelo futebol de rua brasileiro em uma experiência arcade dinâmica e cheia de personalidade, e destacou que levar a versão jogável mais atual para a Retrocon representa um marco importante para a equipe.

Filipe Pereira, game designer líder da Aoca Game Lab, também comentou a participação, afirmando que a resposta do público na demo de São João trouxe insumos valiosos para o estúdio, que agora está entusiasmado em apresentar uma versão mais robusta do jogo. Ambos os títulos estão disponíveis para adição à lista de desejos na Steam, nos links Superkid X1 e ÁRIDA 2: Rise of the Brave.

Outros projetos nacionais circularam pelo evento e em conversas com desenvolvedores, como os jogos da BUG (Big Uncle Games), da Gixer, The Sintonia Chronicles — vencedor da Headscon, evento que teve destaque no norte do país e também premiou uma edição no Espírito Santo — e Kid Racers, título brasileiro desenvolvido para rodar em Sega Saturn. Também foram citados projetos para Mega Drive e um jogo assinado por Swami Abdalla baseado em sua experiência no Saara Ocidental, além do anúncio de Monster Meals Big Bite Diner por outra desenvolvedora presente no evento.

Kevin Bayliss e elenco de Mortal Kombat atraem público

Entre as atrações internacionais, um dos pontos altos foi a presença de Kevin Bayliss, ilustrador responsável pelo visual de personagens da Rare, incluindo Donkey Kong na fase iniciada com Donkey Kong Country. Durante sua participação, Bayliss falou sobre o processo criativo por trás dos personagens e relembrou bastidores do desenvolvimento de jogos históricos, além de participar de sessões de autógrafos e painéis.

A feira também recebeu atores que integraram o elenco da franquia Mortal Kombat, que participaram de sessões de fotos, autógrafos e conversas com o público sobre as gravações dos jogos que ajudaram a popularizar a captura de movimentos nos videogames da década de 1990. A movimentação em torno dos convidados reforçou o caráter histórico do evento, atraindo fãs de diferentes gerações.

Mercado, preservação e resistência à mídia física em pauta

Além da exposição de jogos e consoles, a programação da Retrocon incluiu palestras sobre preservação de videogames, desenvolvimento independente, produção para plataformas clássicas e os desafios do mercado brasileiro. Também esteve presente a AbleGamers, com atrações voltadas à acessibilidade e inclusão, e o Flow Games, com lançamentos de jogos indie nacionais.

Diversos estúdios independentes apresentaram ainda jogos inéditos desenvolvidos para plataformas como Mega Drive, Super Nintendo, Game Boy e Dreamcast, mostrando que, mesmo décadas após o lançamento original, esses consoles continuam recebendo novos cartuchos e lançamentos físicos — um contraponto direto ao movimento das grandes empresas em direção às licenças digitais.

Ao reunir preservação histórica, desenvolvimento independente, convidados internacionais e debates sobre o futuro do mercado, a Retrocon 2026 reforçou seu papel como um dos principais pontos de encontro da cena retrô no Brasil.

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