13ª edição da Pesquisa Game Brasil revela normalização do mercado, ascensão da Geração Z e novos dilemas éticos sobre inteligência artificial e preservação digital.

A 13ª edição da Pesquisa Game Brasil (PGB), divulgada nesta quinta-feira (9), revela que 45,7% dos jogadores no país estão preocupados com a precarização do processo criativo e a perda de empregos na indústria de games devido ao uso de Inteligência Artificial (IA) generativa. O levantamento de 2026, realizado pelo SX Group e Go Gamers em parceria com Blend New Research e ESPM, aponta ainda uma estabilização no consumo de jogos digitais após o pico registrado em 2025, com 75,3% dos entrevistados declarando o hábito de jogar.
Apesar dos receios éticos, o público demonstra uma postura pragmática: 39,3% dos respondentes afirmam que comprariam um jogo mesmo sabendo que boa parte de seu desenvolvimento (arte, textos ou dublagem) utilizou IA. Outros 40,9% admitem que talvez consumiriam tais títulos. Segundo Mauro Berimbau, consultor da Go Gamers e professor da ESPM, o consumidor realiza uma ponderação complexa, avaliando se a tecnologia compromete a “alma” e a qualidade final da obra ou se viola direitos autorais, ponto citado como preocupante por 39,6% dos participantes.

Geração Z assume o protagonismo e impulsiona o PC
O perfil do público brasileiro passou por uma mudança geracional significativa no último ano. A Geração Z (16 a 29 anos) agora representa a maioria dos consumidores, com 36,5% de participação, superando os Millennials (30 a 44 anos), que detêm 33,7%. Essa transição demográfica reflete diretamente nas plataformas de escolha: embora o mobile continue na liderança pela conveniência (44,1%), nota-se um crescimento orgânico no uso de PCs (21,1%) e consoles (24%).
Carlos Silva, CEO da Go Gamers, associa o fortalecimento do PC a essa nova base de jogadores mais jovens, que busca maior engajamento, sessões longas e proximidade com o cenário competitivo de eSports. De acordo com os dados, 86,7% dos brasileiros consideram os jogos digitais como uma de suas principais formas de entretenimento.

Normalização do mercado e regulamentação
A queda no número de pessoas que declaram jogar (de 82,8% em 2025 para os atuais 75,3%) é vista pelos especialistas como uma correção saudável do setor. Guilherme Camargo, CEO do SX Group, explica que a regulamentação dos jogos de sorte ao longo de 2025 ajudou a delimitar melhor o que é, de fato, o mercado de jogos digitais, eliminando sobreposições de percepção que inflaram os números no período anterior.

Preservação digital e o valor da nostalgia
Outro ponto inédito levantado pela PGB 2026 é a insegurança em relação à propriedade digital. Com a digitalização massiva do mercado, 22% dos jogadores afirmam se preocupar muito com a possibilidade de perder o acesso aos seus jogos no futuro devido à ausência de edições físicas.
Esse receio está conectado ao forte hábito de revisitar obras: 62,6% dos jogadores costumam jogar títulos antigos sozinhos, e 55,1% o fazem com amigos. Para este público, a preservação da história dos games é um valor ativo, sendo que promoções (44%) e o lançamento de remakes ou remasters (36,3%) são os principais motores para a recompra de títulos já jogados.
Para acessar o relatório gratuito da PGB 2026, clique aqui.

Jornalista, especialista em SEO e Marketing de Conteúdo, e autora do livro de poemas “Histórias Digitais – Versos em Atualização”. Interessada por cultura pop, literatura e tecnologia, utiliza sua experiência em comunicação para oferecer uma curadoria de conteúdo precisa e confiável no Portal WarMeteor.
