Pesquisas apontam mudança no consumo de conteúdo pelos brasileiros e especialistas defendem que dominar SEO e estratégias de encontrabilidade se tornou parte do ofício de quem escreve

Às vésperas do Dia do Escritor, celebrado em 25 de julho, dados de pesquisas recentes mostram que o desafio de quem produz texto não se limita mais à qualidade da escrita: é preciso garantir que o conteúdo seja encontrado em meio à disputa por atenção travada entre redes sociais, aplicativos de mensagens, mecanismos de busca e ferramentas de inteligência artificial.
Levantamento do Aláfia Lab, laboratório de inovação com foco em internet, comunicação e sociedade, mostra que 51,6% dos brasileiros usam redes sociais para se informar, com Instagram, YouTube e Facebook na liderança. Na sequência aparecem canais de TV (49,6%), sites de notícias (38,3%), mecanismos de busca (29,2%) e aplicativos de mensagem (21,5%) — categoria em que o WhatsApp é dominante, usado por 90,1% dos entrevistados para esse fim.
O mesmo levantamento identificou que os usuários tendem a acessar o conteúdo que lhes é sugerido pelos algoritmos das plataformas digitais, o que reforça o peso desses mecanismos na circulação da informação.
Queda no número de leitores de livros
Paralelamente à mudança nos canais de consumo de conteúdo, a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, conduzida em 2024 pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), revelou que 53% da população não havia lido ao menos parte de algum livro nos três meses anteriores ao levantamento. Os outros 47% foram classificados como leitores.
Segundo a CBL, quando o recorte considera apenas livros lidos por completo, no mesmo período de três meses, o percentual cai para 27% dos brasileiros. A entidade destaca que essa redução no número de leitores, identificada na série histórica da pesquisa, ocorreu em todos os perfis e segmentos analisados — por faixa etária, gênero, escolaridade, classe, renda e entre estudantes e não estudantes.
Encontrabilidade se torna parte do ofício
Diante desse cenário, produzir um texto de qualidade deixou de ser suficiente para garantir alcance. Passou a ser necessário compreender como esse conteúdo é descoberto pelo público, o que trouxe para a rotina de escritores e produtores de conteúdo práticas como otimização para mecanismos de busca (SEO), escolha de palavras-chave, distribuição em diferentes plataformas e entendimento sobre o comportamento do leitor.
“Escrever bem continua sendo o ponto de partida, mas não garante que o conteúdo será encontrado. Hoje, quem produz conteúdo precisa entender como as pessoas pesquisam, quais dúvidas elas querem responder e como os mecanismos de busca interpretam essas intenções”, afirma a CEO da Experta, agência especializada em SEO, Flávia Crizanto.
Para Crizanto, SEO não deve ser entendido como uma técnica voltada para agradar sistemas automatizados. “Significa facilitar o encontro entre quem procura uma informação e quem é capaz de oferecê-la com qualidade. Quanto melhor essa conexão, maiores são as chances de o conteúdo gerar valor para o leitor”, diz.
Foi a partir da observação dessas mudanças de comportamento que a Experta desenvolveu uma metodologia chamada de Encontrabilidade. De acordo com a CEO da agência, a proposta é fazer com que marcas, empresas e profissionais sejam encontrados e escolhidos em diferentes pontos de contato digitais, do Google e YouTube às redes sociais e ferramentas de inteligência artificial generativa.
Na prática, a metodologia combina SEO, otimização para motores de resposta (AEO, na sigla em inglês) e busca social, com o objetivo de conectar o conteúdo à intenção de busca do público e transformar atenção em ação. “O objetivo continua sendo o mesmo: produzir conteúdo útil, relevante e confiável. A tecnologia muda os caminhos até o leitor, mas é a qualidade da informação que faz com que ele permaneça”, completa Crizanto.
Dispersão da atenção também influencia o consumo
A necessidade de tornar os textos mais encontráveis está diretamente ligada ao novo comportamento dos leitores, que costumam consumir diferentes mídias ao mesmo tempo. “Somos uma sociedade multifacetada. Hoje, assistimos à televisão ao mesmo tempo que lemos um texto, ao mesmo tempo que estamos com o celular ligado ao lado, então, tudo isso vai, evidentemente, dispersar a concentração”, disse a professora de Filosofia da Educação e diretora da Faculdade de Educação da USP, Carlota Boto, em entrevista ao periódico da instituição.
Boto reconhece que as atividades digitais atraem o público justamente pela conectividade rápida e imediata que oferecem. Para Crizanto, esse cenário reforça que a presença no ambiente digital precisa ser estratégica, e não apenas uma reação às mudanças de comportamento.
Recomendações para quem escreve
A partir do diagnóstico sobre as mudanças no consumo de conteúdo, são apontadas algumas orientações voltadas a quem produz textos e deseja ampliar seu alcance:
Conhecer o público-alvo é apontado como o primeiro passo, já que a definição de para quem se escreve orienta a escolha de temas e de linguagem.
Títulos claros e objetivos também são citados como fundamentais, uma vez que representam o primeiro contato do leitor com o conteúdo — o que reforça a importância de evitar termos genéricos.
O aprendizado de técnicas de SEO aparece como outra recomendação, incluindo a escolha de boas palavras-chave e a organização do texto com subtítulos, práticas que ajudam os mecanismos de busca a interpretar o conteúdo sem comprometer sua naturalidade.
Fortalecer a presença digital é indicado mesmo para textos veiculados originalmente em mídia impressa, já que identificar em quais canais o público está presente permite direcionar melhor a divulgação.
Por fim, é destacado que, apesar da dinâmica das plataformas digitais, conteúdos confiáveis e bem escritos seguem sendo os que geram engajamento e conquistam leitores — a tecnologia facilita a descoberta do texto, mas é a qualidade da informação que faz o público permanecer.

Jornalista, especialista em SEO e Marketing de Conteúdo, e autora do livro de poemas “Histórias Digitais – Versos em Atualização”. Interessada por cultura pop, literatura e tecnologia, utiliza sua experiência em comunicação para oferecer uma curadoria de conteúdo precisa e confiável no Portal WarMeteor.
