O banquete macabro de Moriana em Be My Horde

No papel da sarcástica necromante Moriana, Be My Horde subverte o gênero horde survival ao transformar cada inimigo abatido em um aliado morto-vivo.

O banquete macabro de Moriana em Be My Horde
Imagem: Gameplay

O estúdio polonês Polished Games lançou recentemente para PC o título Be My Horde, um roguelite de sobrevivência que subverte o gênero ao colocar o jogador no controle de uma vilã necromante. No papel de Moriana, o objetivo é utilizar a morte de inimigos como recurso imediato para reanimar um exército de mortos-vivos, transformando a mecânica de combate tradicional em um sistema de gerenciamento de horda estratégico e agressivo. 

A proposta audaciosa busca revitalizar o nicho de horde survival ao substituir a jornada do herói clássico por uma experiência de vilania consciente e mecânicas de necromancia dinâmica.

Jogabilidade: a arte de orbitar a morte

Diferente de outros bullet heavens onde o foco é o disparo automático, a experiência em Be My Horde é mais cerebral e estratégica. Moriana é frágil e não ataca diretamente; ela é o maestro de uma orquestra de cadáveres.

  • A Dança da Necromancia – senti que o posicionamento é o coração do jogo. Você precisa “orbitar” os corpos caídos para reanimá-los quase instantaneamente. Houve momentos de tensão absoluta em que precisei decidir entre fugir de um cavaleiro ou avançar sobre uma pilha de camponeses mortos para reforçar minha horda;
  • Progressão e Estratégia – o loop de gameplay é viciante. Na “Dominion” (sua base), os upgrades permanentes dão aquela sensação clássica de que a próxima run será a definitiva. Durante as partidas, as escolhas de perks — como cadáveres explosivos ou auras de gelo — permitem que você dite o ritmo do caos;
  • Ambiente Reativo – o uso de elementos como lagos de lava e chuvas de meteoros impede que o jogo se torne monótono, exigindo que o jogador esteja em constante movimento.

Gráficos e som: o charme do grotesco

Visualmente, o jogo opta por um 2D desenhado à mão que me cativou imediatamente. Não há realismo aqui, apenas uma estética cartunesca e deliberadamente exagerada. Ver uma ovelha ser reanimada para lutar ao seu lado é o ápice do humor ácido que o título propõe.

No departamento sonoro, o trabalho é impecável. A trilha de Davi Vasc mistura heavy metal com tons góticos que elevam a adrenalina conforme a horda cresce. Mas o verdadeiro brilho vem da dublagem de Amber Lee Connors. Sua Moriana é sarcástica e magnética; ela quebra a quarta parede com uma elegância vil que torna impossível não torcer pelo desastre.

História e narrativa: vilania com propósito

Embora não seja um RPG denso, a narrativa está impregnada no mundo. O jogo faz um excelente trabalho em mostrar como o ambiente reage à sua presença. Moriana não é apenas um avatar de poder; ela é uma personagem com motivações e um senso de humor que humaniza (ironicamente) sua jornada necromântica. A interação com o “Devil” e outras figuras excêntricas adiciona camadas de world-building que raramente vemos em jogos de baixo orçamento.

Vale a pena se juntar à horda?

Be My Horde é uma lufada de ar (embora com cheiro de enxofre) no gênero roguelite. Ele entende que ser o vilão pode ser libertador quando o design do jogo suporta essa fantasia de poder com mecânicas inteligentes.

Embora ainda sofra com as limitações naturais de um Early Access — como a quantidade restrita de níveis e um controle de horda que pode se perder no caos visual — o polimento geral e a personalidade da protagonista compensam qualquer aresta não aparada. É um título que transforma a repetição em um prazer genuíno.Be My Horde se destaca ao abraçar o caos com inteligência e estilo. É sangrento, viciante e possui uma identidade visual e sonora que o coloca em patamares acima de muitos clones de Vampire Survivors. Uma escolha obrigatória para quem gosta de estratégia sob pressão e um bom humor macabro.

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