Diretora da Pacta Clara explica como a catalogação ajuda o leitor a diferenciar edições, traduções e adaptações na biblioteca digital gratuita do Ministério da Educação

O número de cadastrados no MEC Livros, biblioteca digital pública e gratuita do Ministério da Educação, passou de 862 mil para 1,19 milhão entre o balanço divulgado em junho e os dados atualizados em 7 de setembro de 2026. Lançada em abril deste ano para ampliar o acesso à leitura, a plataforma reúne mais de 25 mil títulos, que podem ser lidos pelo site ou pelos aplicativos para celular.
Com o catálogo maior, a escolha da obra começa antes da leitura. Um mesmo termo de busca pode trazer resultados com propostas diferentes. A pesquisa por “Dom Casmurro”, por exemplo, retornou várias edições do romance de Machado de Assis, uma adaptação em quadrinhos e um resumo, identificado como tal no próprio título.
Como uma obra entra no catálogo
Para que cada versão apareça identificada, as obras precisam ser descritas e organizadas, trabalho que faz parte da gestão de bibliotecas e de acervos bibliográficos. Segundo Cristina Barbanti, sócia-fundadora e diretora de projetos de biblioteca da Pacta Clara, o processo começa com a análise do material e o levantamento de dados como autor, título, edição e data. Essas informações são organizadas conforme padrões de catalogação e registradas no sistema da biblioteca, o que permite ao usuário pesquisar e localizar a obra.
Graduada em História e mestre em Ciência da Informação pela ECA-USP, Cristina trabalha há mais de dez anos com organização e gestão de acervos. Ela compara o registro bibliográfico a uma agenda telefônica. “É como salvar um contato no celular. Só o número diz pouco, mas, quando acrescentamos um nome, conseguimos identificá-lo e encontrá-lo”, diz.
O que conferir antes de abrir o livro
O título de uma obra pode se repetir em edições de editoras diferentes, em traduções e em adaptações. Por isso, quem procura o texto original, uma versão em quadrinhos ou uma leitura introdutória precisa observar essas diferenças antes de começar.
A recomendação de Cristina é verificar três pontos: a edição, que pode trazer revisões ou mudanças em relação a outras; a tradução, no caso de obras estrangeiras; e a indicação de adaptação, que sinaliza alterações no original, feitas, por exemplo, para crianças, jovens ou para uma linguagem mais simples. “Essas informações ajudam o leitor a escolher a versão da obra que realmente procura”, afirma.
A identificação bibliográfica também consta da Política de Desenvolvimento de Acervo do MEC Livros. O documento define informações mínimas para cada obra: autoria, título, ano de publicação original, idioma original, nome do tradutor, quando houver, e fonte da digitalização. Entre os critérios editoriais estão a indicação clara da edição utilizada e a revisão de erros no reconhecimento do texto digitalizado.
O catálogo também permite chegar a um livro sem saber o nome dele ou do autor. “O catálogo permite fazer uma busca pelo assunto. Assim, mesmo sem saber o título ou o autor, o leitor pode pesquisar um tema, como ‘meio ambiente’ ou ‘história do Brasil’, e encontrar as obras relacionadas disponíveis na biblioteca”, explica a especialista.
Celular é o aparelho mais usado para ler livros digitais
O dispositivo de leitura também pesa na escolha. Na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil de 2024, realizada pelo Instituto Pró-Livro com aplicação do Ipec, 75% dos entrevistados que já tinham lido livros digitais disseram ter usado o celular ou smartphone para isso. O percentual se refere a 999 participantes com esse hábito, dentro de uma amostra nacional de 5.504 pessoas ouvidas em 208 municípios.
O formato do arquivo muda a forma como o texto aparece na tela. De acordo com o MEC Livros, o EPUB se adapta ao tamanho da tela e permite ajustar a fonte e a disposição do conteúdo. O PDF mantém a página com organização fixa, parecida com a de um livro impresso. O formato oferecido varia conforme a obra e a edição disponível na plataforma.
Acervo físico: 12,5 mil títulos fora do sistema
O registro bibliográfico vale também para as estantes. A Pacta Clara conduz um projeto na Biblioteca Pública Municipal de São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo. Segundo Cristina, a equipe encontrou cerca de 12.500 títulos que já faziam parte do acervo, mas não estavam registrados no catálogo.
A empresa está catalogando essas obras para que possam ser identificadas e localizadas pelos leitores. “Estamos transformando livros que estavam ‘invisíveis’ no sistema em conteúdos acessíveis aos leitores”, afirma.

Jornalista, especialista em SEO e Marketing de Conteúdo, e autora do livro de poemas “Histórias Digitais – Versos em Atualização”. Interessada por cultura pop, literatura e tecnologia, utiliza sua experiência em comunicação para oferecer uma curadoria de conteúdo precisa e confiável no Portal WarMeteor.
